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Avaliação audiológica infantil

A avaliação da audição de bebês e crianças pequenas deve ser realizada por meio de um protocolo composto por diferentes procedimentos, selecionados de acordo com a idade, o desenvolvimento e a capacidade de participação de cada criança. A análise conjunta dos resultados permite compreender melhor como a criança responde aos sons e contribui para a definição do diagnóstico e da conduta mais adequada.

Entre os procedimentos utilizados estão os métodos comportamentais, como a Audiometria de Observação Comportamental, a Audiometria com Reforço Visual e a Audiometria Infantil Condicionada. Essas técnicas recebem essa denominação porque dependem da observação ou da realização de uma resposta da criança diante do estímulo sonoro.

De acordo com o método utilizado, a resposta pode ocorrer de forma espontânea ou ser aprendida por meio de condicionamento. Na Audiometria com Reforço Visual, por exemplo, a criança é estimulada a procurar uma imagem, uma luz, um vídeo ou um brinquedo sempre que percebe o som. Na Audiometria Infantil Condicionada, ela aprende a associar o estímulo auditivo a uma atividade motora simples, como encaixar uma peça, colocar um objeto em um recipiente ou participar de uma brincadeira.

Esses procedimentos permitem investigar a sensibilidade auditiva e, quando as respostas são consistentes e confiáveis, estimar ou determinar os limiares auditivos da criança.

Em nossa clínica a avaliação infantil é realizada por dois fonoaudiólogos, especialistas em audiologia, em uma sala acusticamente tratada, e não em uma cabine convencional. Esse ambiente oferece controle adequado do ruído externo e, ao mesmo tempo, proporciona mais espaço, conforto e liberdade de posicionamento para a criança e seus responsáveis, favorecendo uma observação mais natural do comportamento durante o exame.

A avaliação investiga como a criança ouve e como responde aos diferentes sons. Ela não se limita a um único teste: o protocolo deve ser individualizado de acordo com a idade cronológica, o desenvolvimento, as habilidades motoras e cognitivas, as condições clínicas e a capacidade de participação de cada criança.

Durante a avaliação, podem ser utilizados métodos comportamentais, fisiológicos e eletrofisiológicos. Entre eles estão a Audiometria de Observação Comportamental, a Audiometria de Reforço Visual, a Audiometria Lúdica Condicionada, a audiometria tonal, a imitanciometria, as emissões otoacústicas e, quando indicado, o Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico — PEATE, também conhecido como BERA.

A escolha do método não deve ser determinada apenas pela idade da criança. Duas crianças da mesma faixa etária podem apresentar níveis diferentes de atenção, compreensão, desenvolvimento motor e capacidade de condicionamento. Por isso, cabe ao audiologista selecionar e adaptar os procedimentos para obter respostas confiáveis.

A escolha do método não deve ser determinada apenas pela idade da criança. Duas crianças da mesma faixa etária podem apresentar níveis diferentes de atenção, compreensão, desenvolvimento motor e capacidade de condicionamento. Por isso, cabe ao audiologista selecionar e adaptar os procedimentos para obter respostas confiáveis.

Quando a avaliação audiológica infantil é indicada?

A avaliação pode ser recomendada quando:

  • a criança não passou no Teste da Orelhinha ou no reteste;
  • existem indicadores de risco para perda auditiva;
  • há atraso no desenvolvimento da fala ou da linguagem;
  • a criança não responde ao nome ou responde de maneira inconsistente aos sons;
  • há dificuldade para compreender comandos;
  • existe suspeita de perda auditive ou dúvida sobre a audição da criança por parte dos pais, familiares, professores ou profissionais de saúde;;
  • ocorrem infecções de ouvido recorrentes;
  • há histórico familiar de perda auditiva na infância;
  • existe alguma condição genética, neurológica ou do desenvolvimento associada a maior risco auditivo;
  • há suspeita ou diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista — TEA;

Por que diferentes exames são necessários?

Nenhum exame isolado avalia todos os componentes do sistema auditivo. Um resultado deve confirmar e complementar o outro, seguindo o princípio do cross-check (verificação cruzada).

O diagnóstico audiológico infantil deve, portanto, ser construído a partir da integração de todas as informações disponíveis.

A avaliação pode precisar de mais de uma sessão?

Sim. Crianças pequenas podem perder o interesse, apresentar cansaço, não aceitar os fones ou não completar todos os procedimentos em uma única consulta. Em determinadas situações, pode ser necessário concluir a avaliação em outra sessão.

O que o resultado pode identificar?

A avaliação audiológica pode contribuir para:

  • confirmar ou descartar a presença de perda auditiva;
  • estimar o grau e a configuração da perda;
  • investigar se a alteração é condutiva, sensorioneural ou mista;
  • avaliar separadamente cada orelha, quando possível;
  • orientar a necessidade de acompanhamento;
  • indicar encaminhamento médico;
  • auxiliar na seleção e na adaptação de dispositivos auditivos;
  • fornecer informações para o acompanhamento do desenvolvimento da fala e da linguagem.

A identificação precoce de qualquer alteração auditiva permite que a criança receba acompanhamento e intervenção adequados no momento mais oportuno para seu desenvolvimento.

Bibliografia consultada

AMERICAN ACADEMY OF AUDIOLOGY. Clinical Guidance Document: Assessment of Hearing in Infants and Young Children. Reston, VA: American Academy of Audiology, 2020.

AMERICAN ACADEMY OF AUDIOLOGY. Pediatric Audiological Assessment Algorithm. Reston, VA: American Academy of Audiology, 2022.

JOINT COMMITTEE ON INFANT HEARING. Year 2019 Position Statement: Principles and Guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. Journal of Early Hearing Detection and Intervention, v. 4, n. 2, p. 1–44, 2019.

NORRIX, L. W. Hearing thresholds, minimum response levels, and cross-check measures in pediatric audiology. American Journal of Audiology, v. 24, n. 2, p. 137–144, 2015.

Se você tem dúvidas sobre a audição do seu filho ou recebeu indicação para realizar o BERA/PEATE, entre em contato conosco. Nossa equipe pode esclarecer todas as suas questões e agendar a avaliação com o protocolo completo, incluindo o exame por frequência específica.

Fale conosco: (11) 99109-6767

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Teste da orelhinha: triagem auditiva neonatal

O Teste da Orelhinha, também chamado de Triagem Auditiva Neonatal (TAN), é o primeiro passo para identificar, o mais cedo possível, bebês que precisam de uma avaliação mais detalhada da audição. É um exame objetivo, rápido, indolor e realizado, sempre que possível, ainda na maternidade.

A identificação precoce permite que o diagnóstico e os cuidados necessários sejam iniciados no período adequado, reduzindo os efeitos que uma perda auditiva pode causar no desenvolvimento da audição, da fala, da linguagem e da comunicação.

No Brasil, o exame é obrigatório para todos os recém-nascidos desde 2010, pela Lei Federal nº 12.303. A triagem deve ser universal, inclusive para bebês saudáveis e sem fatores de risco conhecidos, porque parte importante das perdas auditivas congênitas ocorre em crianças sem indicadores de risco.

Todo bebê deve realizar a triagem auditiva no primeiro mês de vida, preferencialmente entre 24 e 48 horas após o nascimento e antes da alta hospitalar.

  • Teste: preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida.
  • Reteste, quando necessário: até o 15º dia de vida.
  • Diagnóstico audiológico: idealmente concluído até o 3º mês.
  • Intervenção, quando indicada: iniciada até o 6º mês.

Caso o exame não tenha sido realizado na maternidade, ele deve ser agendado o quanto antes, ainda dentro do primeiro mês de vida. Para bebês internados em UTI Neonatal, a triagem deve ocorrer assim que houver condições clínicas, preferencialmente antes da alta.

Como o Teste da Orelhinha é realizado?

Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes — EOAT

No Exame de Emissões Otoacústicas, uma pequena sonda é colocada na orelha do bebê e apresenta sons suaves. O equipamento verifica a resposta das células ciliadas externas da cóclea. O bebê precisa estar dormindo ou tranquilo para reduzir ruídos durante o registro.

O que significam os resultados “passa” e “falha”?

Resultado satisfatório — passa

“Passa” significa que o bebê apresentou resposta satisfatória na triagem realizada. Para esse resultado, é necessário passar nas duas orelhas.

Esse resultado indica que a audição está dentro do esperado naquele momento, mas não garante que permanecerá normal durante toda a infância. Algumas perdas auditivas podem surgir posteriormente ou ser progressivas. Por isso, os pais devem continuar observando as respostas aos sons, a comunicação e o desenvolvimento da fala e da linguagem.

Resultado não satisfatório — falha

“Falha” significa que não foi possível obter uma resposta satisfatória em uma ou nas duas orelhas. Não é diagnóstico de perda auditiva. Líquido na orelha, ruído ambiental ou agitação do bebê também podem interferir no resultado.

Sempre que houver falha, mesmo em apenas uma orelha, o reteste deve ser realizado nas duas orelhas e com o mesmo protocolo utilizado na primeira etapa.

O reteste deve ocorrer até o 15º dia de vida, preferencialmente no mesmo serviço que realizou o primeiro exame. O bebê deve sair da maternidade ou do atendimento com o reteste já agendado.

Após uma falha no reteste, não se recomenda repetir sucessivamente o Teste da Orelhinha. Triagem e avaliação diagnóstica não são a mesma coisa. O diagnóstico deve ser realizado por profissional com experiência em avaliação audiológica infantil.

Mesmo quem passa pode precisar de acompanhamento

A presença de determinados indicadores de risco pode exigir avaliações periódicas, mesmo quando o bebê passa na triagem. Os pais devem informar ao profissional todos os dados relevantes da gestação, do nascimento e da internação, incluindo medicamentos utilizados, permanência em UTI e histórico familiar de perda auditiva.

Também é importante procurar avaliação sempre que houver dúvida sobre a audição ou atraso no desenvolvimento, independentemente do resultado obtido ao nascer.

Procure ajuda profissional se o filho:

  • não reage a sons ou não se assusta com sons intensos;
  • não procura ou não localiza a origem dos sons na idade esperada;
  • não responde quando é chamado pelo nome;
  • apresenta atraso de fala, linguagem ou comunicação;
  • parece ouvir em alguns momentos e em outros não;
  • apresenta qualquer mudança de comportamento auditivo.

A preocupação da família deve sempre ser considerada. Ter passado no Teste da Orelhinha não exclui a possibilidade de uma perda auditiva adquirida, progressiva ou de início tardio.

Orientação final aos pais

O Teste da Orelhinha é essencial, mas representa apenas o início do cuidado auditivo. O benefício da triagem depende da continuidade: realizar o reteste no prazo, concluir a avaliação diagnóstica quando indicada e acompanhar o desenvolvimento da criança.

Marcos do desenvolvimento auditivo e da linguagem

Referência visual incluída no documento original.

Fonte

Brasil. Ministério da Saúde. Guia para realização da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e seguimento assistencial. Brasília: Ministério da Saúde; 2025.

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Criança fazendo o exame BERA / PEATE na Clíncia Andreia Lot

BERA/PEATE: nosso protocolo completo de avaliação auditiva infantil

Um protocolo baseado em evidências científicas — realizado, sempre que possível, sem sedação

Quando o assunto é avaliar a audição de um bebê ou de uma criança pequena, a pergunta mais importante não deveria ser apenas: “Precisa de sedação?”. Antes disso, é preciso perguntar: o exame vai realmente mostrar o quanto meu filho escuta?

Isso porque existem diferentes tipos de estímulo utilizados no BERA/PEATE. O estímulo clique avalia a integridade da via auditiva, enquanto um estímulo por frequência específica, permite estimar o quanto a criança escuta em diferentes faixas de frequência (graves, médias e agudas).

Muitos serviços realizam apenas o clique, por ser um procedimento mais rápido e simples. No entanto, o clique isoladamente não é suficiente para confirmar ou descartar, de forma precisa, a presença de perda auditiva.

Nosso protocolo: BERA/PEATE com clique e frequências específicas em todos os pacientes pediátricos

Na nossa clínica, todos os pacientes pediátricos realizam um protocolo completo de BERA/PEATE. Além do estímulo clique, incluímos sempre a avaliação por frequência específica com tone burst, nas frequências de 500, 2.000 e 4.000 Hz, e 1.000 Hz quando necessário, em diferentes intensidades.

Esse protocolo está de acordo com as diretrizes das principais entidades internacionais da área, como a American Speech-Language-Hearing Association (ASHA), o Joint Committee on Infant Hearing (JCIH) e a American Academy of Audiology (AAA). A avaliação por frequência específica permite estimar com maior precisão a audição da criança em diferentes regiões de frequência, especialmente quando ela ainda não consegue responder de forma confiável aos exames comportamentais.

Apesar dessa recomendação ser conhecida há décadas, pesquisas mostram que sua adoção na prática clínica ainda é limitada: um levantamento publicado em 2020 (Findlen e Schuller) constatou que uma parcela relevante dos serviços de diagnóstico não realizava nenhuma medida eletrofisiológica por frequência específica, utilizando apenas o clique. O motivo mais citado é que a avaliação com estímulos por frequência específica é considerada um procedimento mais longo e mais complexo de interpretar.

Entendemos essa dificuldade — e é justamente por isso que investimos em protocolo, tempo de exame e tecnologia para que nenhum paciente pediátrico saia sem a avaliação completa, independentemente da idade ou do nível de cooperação.

BERA/PEATE sem sedação, é possível?

Muitos pais chegam à clínica depois de ouvirem que o BERA somente pode ser realizado durante o sono profundo ou sob sedação/anestesia. Isso tem uma explicação: a resposta auditiva registrada é extremamente pequena e pode ser encoberta por movimentos, tensão muscular e interferências elétricas.

Por que o movimento interfere no BERA?

Durante o exame, pequenos eletrodos colados na pele captam a atividade elétrica gerada pelas vias auditivas em resposta aos sons apresentados nos fones. O problema é que piscar, falar, mastigar, se mexer ou contrair os músculos gera um sinal elétrico muito mais forte do que a resposta auditiva que estamos tentando identificar. Esse ruído é chamado de artefato fisiológico ou miogênico, e é ele — não a criança em si — o verdadeiro obstáculo para um exame confiável.

Esse desafio se torna ainda maior em um protocolo completo como o nosso: exige bem mais tempo de exame do que uma avaliação apenas por clique — e, portanto, mais tempo em que a criança precisa permanecer tranquila.

Na nossa clínica, realizamos o BERA com um equipamento que utiliza tecnologia de processamento de sinal avançada, desenvolvida especificamente para registrar potenciais evocados auditivos em condições clínicas mais desafiadoras — como é o caso de crianças pequenas ou com dificuldade de permanecer completamente imóveis.

Entre os recursos que fazem diferença estão filtros especializados, que ajudam a separar a resposta auditiva do ruído elétrico e muscular, e um sistema de ponderação dos registros conforme o nível de ruído.

Ainda assim, sempre que possível, priorizamos o sono natural da criança, que continua sendo a condição ideal para o registro. Quando ela acorda ou não consegue dormir, ainda é possível prosseguir, desde que permaneça muito quieta e tranquila — por isso, muitas vezes a criança assiste, sem som, a um desenho de sua preferência durante o exame.

O que a ciência mostra

A Dra. Andreia Lot utilizou o mesmo equipamento tanto em sua pesquisa de mestrado, realizada na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP), quanto em seu doutorado, desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

No doutorado, foram avaliadas 130 crianças, grande parte delas com TEA, sem sedação. Os exames foram realizados com as crianças dormindo naturalmente ou acordadas e tranquilas, enquanto assistiam a um desenho silencioso de sua preferência.

Todas as 130 crianças completaram o exame com sucesso — um resultado que reforça a viabilidade dessa abordagem, mesmo em uma população conhecida por apresentar maiores desafios comportamentais durante as avaliações.

Alguns estudos internacionais

  • Schornagel e colaboradores (2025), do Leiden University Medical Center (Países Baixos), publicado no International Journal of Audiology, avaliaram o BERA/PEATE, com o mesmo equipamento que utilizamos na nossa clínica, em crianças menores de 2 anos, tanto em domicílio quanto em ambiente hospitalar. Os exames foram conclusivos mesmo com a criança acordada, ou assistindo à TV — sem necessidade de sedação ou de sono.
  • Elsayed e colaboradores (2015), publicado em Ear and Hearing, avaliaram 145 bebês sem sedação. Confirmaram ser possível obter limiares confiáveis por frequência específica mesmo sem sono adequado — informação essencial para a indicação e o ajuste de aparelhos auditivos. Também utilizaram o mesmo equipamento.
  • Jones e colaboradores (2020) avaliaram crianças de 2 a 3 anos com TEA e com desenvolvimento típico, sem sedação, usando uma estratégia simples: a criança confortável, assistindo a um filme de sua escolha. Concluíram que crianças pequenas com TEA podem completar a avaliação sem sedação, desde que o ambiente e a abordagem sejam adaptados às suas necessidades.

Como é realizado na prática

Para recém-nascidos e bebês pequenos, o sono natural costuma oferecer condições ideais para o registro. Crianças maiores podem permanecer no colo dos pais, deitadas ou sentadas, dormindo ou alternando períodos de sono e vigília ao longo do exame — sempre priorizando o sono, mas sem depender exclusivamente dele.

Quando necessário, incluímos pausas para alimentação, troca de fralda ou para que a criança se acalme. Um protocolo completo, que avalia diferentes frequências, intensidades e os dois ouvidos, pode levar mais de duas horas — tempo necessário para respeitar o ritmo de cada criança sem comprometer a qualidade do resultado.

Vale destacar: mesmo com toda a tecnologia disponível, algumas condições precisam ser respeitadas, e em situações pontuais o exame pode precisar ser complementado ou reagendado. A sedação e a anestesia continuam sendo necessárias em determinados casos e, quando indicadas, devem ser realizadas por equipe médica habilitada, em ambiente apropriado e com monitoramento adequado.

Nossa proposta não é afirmar que a sedação nunca é indicada, e sim mostrar que ela não precisa ser a única possibilidade simplesmente porque a criança é pequena, tem TEA ou apresenta dificuldade de cooperação.

Em resumo

  • Sem sedação, sempre que possível: um complemento importante, não o objetivo principal — o que realmente garante um diagnóstico confiável é um protocolo eficaz.
  • Protocolo completo, em todos os pacientes pediátricos: estímulo clique + frequência específica (tone burst), conforme as diretrizes da ASHA, do JCIH e da American Academy of Audiology.
  • Tecnologia a serviço do protocolo: filtros e processamento de sinal avançados que ajudam a manter a qualidade do registro mesmo em exames mais longos.

Se você tem dúvidas sobre a audição do seu filho ou recebeu indicação para realizar o BERA/PEATE, entre em contato conosco. Nossa equipe pode esclarecer todas as suas questões e agendar a avaliação com o protocolo completo, incluindo o exame por frequência específica.

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Referências

American Speech-Language-Hearing Association. Guidelines for the Audiologic Assessment of Children From Birth to 5 Years of Age. Rockville, MD: American Speech-Language-Hearing Association; 2004. doi:10.1044/policy.GL2004-00002.

Elsayed AM, Hunter LL, Keefe DH, Feeney MP, Brown DK, Meinzen-Derr JK, et al. Air and bone conduction click and tone-burst auditory brainstem thresholds using Kalman adaptive processing in nonsedated normal-hearing infants. Ear Hear. 2015;36(4):471–481.

Findlen UM, Schuller ND. Audiologic clinical practice patterns: infant assessment. J Early Hear Detect Interv. 2020;5(1):28–46. doi:10.26077/7d63-zd27.

Hall JW, Sauter T. Clinical experience with new technology for recording unsedated ABRs. Apresentado em: Annual Meeting of the American Academy of Audiology; 2010; San Diego, CA.

Joint Committee on Infant Hearing. Year 2019 position statement: principles and guidelines for Early Hearing Detection and Intervention Programs. J Early Hear Detect Interv. 2019;4(2):1–44.

Jones MK, Kraus N, Bonacina S, Nicol T, Otto-Meyer S, Roberts MY. Auditory processing differences in toddlers with autism spectrum disorder. J Speech Lang Hear Res. 2020;63(5):1608–1617. doi:10.1044/2020_JSLHR-19-00061.

Lot ABO. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico (PEATE) com clique e tone burst em crianças com TEA: uma ferramenta essencial para avaliação auditiva [tese de doutorado]. São Paulo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; 2025.

Schornagel FAJ, Soede W, Vossen ACTM, Oudesluys-Murphy AM. Enhanced auditory brainstem response device (Vivosonic Integrity) in young children, in the child’s home and hospital. Int J Audiol. Publicado on-line em 30 set. 2025. doi:10.1080/14992027.2025.2502441.

Stapells DR, Gravel JS, Martin BA. Thresholds for auditory brain stem responses to tones in notched noise from infants and young children with normal hearing or sensorineural hearing loss. Ear Hear. 1995;16(4):361–371.

Criança fazendo o exame BERA / PEATE na Clínica Andreia Lot

O que é o BERA/PEATE?

O BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry) ou PEATE (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico) é um exame que avalia a integridade das vias auditivas e possibilita estimar os limiares auditivos, ou seja, o quanto o bebê ou a criança escuta, sem a necessidade de uma resposta comportamental.

É um exame objetivo, não invasivo, que pode ser realizado desde o período neonatal até a fase adulta.

O BERA/PEATE avalia a audição desde o nervo coclear até o tronco encefálico, verificando se o caminho percorrido pelo som está funcionando adequadamente. Quando o objetivo é estimar o quanto a criança escuta, ou seja, determinar os limiares auditivos, o exame deve ser realizado em diferentes frequências — graves, médias e agudas — e em cada ouvido separadamente.

Você sabia que o BERA/PEATE pode ser realizado com diferentes tipos de estímulo? Um deles é o estímulo clique; o outro utiliza estímulos por frequência específica.

O que é importante saber

O BERA/PEATE realizado somente com o estímulo clique avalia a integridade das vias auditivas, mas não permite estimar os limiares auditivos de forma específica nas diferentes frequências e, não fornece um mapa completo do quanto a criança escuta.

Nosso protocolo inclui a realização do PEATE por frequência específica em todos os pacientes pediátricos, além do PEATE por clique.

Por que realizar o PEATE por frequência específica?

Com estímulos específicos por frequência, como o tone burst, por exemplo, avaliamos 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000 Hz, abrangendo frequências graves, médias e agudas. Isso permite estimar os limiares auditivos e a configuração audiométrica, formando um verdadeiro “mapa da audição da criança”. Essa abordagem possibilita uma avaliação auditiva objetiva e é recomendada para estimar o grau, a configuração e o tipo de perda auditiva, quando presente, na população pediátrica (American Academy of Audiology, 2020).

Embora o PEATE por frequência específica seja reconhecido como uma prática recomendada na avaliação audiológica infantil, os protocolos utilizados podem variar entre os serviços, e alguns incluem apenas o estímulo clique.

A literatura recomenda que, para favorecer a identificação precoce de possíveis alterações auditivas em crianças pequenas, o protocolo de avaliação inclua estímulos por frequência específica no BERA/PEATE.

Quando seu filho pode precisar deste exame?

Existem situações que podem indicar a necessidade de uma avaliação auditiva objetiva. Quando limitações relacionadas à idade, ao neurodesenvolvimento ou a outros fatores dificultam a obtenção de respostas comportamentais confiáveis, a avaliação pode ser inconclusiva, tornando necessário o uso de medidas eletrofisiológicas (Hall, 2016; JCIH, 2019).

O exame pode ser indicado, por exemplo, nas seguintes situações:

  • Resultado não satisfatório na Triagem Auditiva Neonatal — quando o bebê não passa no Teste da Orelhinha e precisa prosseguir com a investigação para confirmar se há perda auditiva e estimar o quanto escuta.
  • Indicadores de risco para perda auditiva — recém-nascidos e crianças com condições clínicas que exigem avaliação e acompanhamento auditivo específicos.
  • Idade ou desenvolvimento que dificultam a avaliação comportamental — bebês e crianças pequenas que ainda não conseguem responder de maneira confiável à audiometria.
  • Atraso na fala, na linguagem ou na comunicação — quando a criança não fala ou fala menos do que o esperado para a idade.
  • Dificuldade para responder ao nome ou compreender comandos — quando a criança não responde ao ser chamada ou não compreende orientações simples.
  • Respostas auditivas inconsistentes — quando, em alguns momentos, a criança parece ouvir bem e, em outros, parece não ouvir.
  • Suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA) — é fundamental investigar e descartar a presença de perda auditiva antes ou durante o processo diagnóstico do TEA.
  • Dúvidas sobre a audição da criança — sempre que os pais ou profissionais observarem comportamentos auditivos diferentes do esperado.

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Perda Auditiva em Bêbes/Crianças – A Importância do Diagnóstico Precoce

De acordo com American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) o diagnóstico da perda auditiva, bem como seu tratamento, deve ser realizado até os primeiros 6 meses de vida, para que a criança possa ter um desenvolvimento normal de fala e linguagem, similar as crianças com audição normal.

O período crítico para o desenvolvimento normal de fala/linguagem é desde o nascimento até os 3 anos de vida. A perda auditiva, em muitos casos, não é detectada até que a criança complete 2, 3 ou 4 anos de vida, quando prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento normal da criança já ocorreram. Uma criança com perda auditiva tem dificuldades para ouvir normalmente os sons de fala. A perda auditiva pode estar presente desde o nascimento ou, em alguns casos, pode surgir posteriormente. É importante ressaltar que a maioria dos bebês com perda auditiva tem pais com audição normal.

Os programas de Triagem Auditiva Neonatal foram desenvolvidos com a finalidade de prevenir os efeitos negativos da perda auditiva no desenvolvimento cognitivo, linguístico, auditivo, socioemocional e acadêmico de bebês e crianças. A perda auditiva, portanto, deve ser identificada o mais rápido possível, logo após o nascimento, bem como a intervenção deve ser imediata.

Para confirmar a perda auditiva de recém-nascidos e crianças pequenas que falharam na triagem auditiva na maternidade, deve-se utilizar testes/exames específicos para avaliar a integridade do sistema auditivo, em ambas as orelhas, estimar a sensibilidade auditiva por frequências, determinar o tipo de perda auditiva, monitorar e fornecer informações necessárias para iniciar os ajustes dos dispositivos de amplificação (próteses auditivas). Nossos equipamentos de última geração permitem a execução de diagnósticos da audição de maneira efetiva. É possível qualificar o déficit da audição desde o recém-nascido até o paciente idoso, incluindo pacientes não colaborativos. Nossa equipe, composta por fonoaudiólogos especializados, realiza o acompanhamento dos pacientes através de exames de rotina específicos para cada necessidade.

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