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Teste da orelhinha: triagem auditiva neonatal

O Teste da Orelhinha, também chamado de Triagem Auditiva Neonatal (TAN), é o primeiro passo para identificar, o mais cedo possível, bebês que precisam de uma avaliação mais detalhada da audição. É um exame objetivo, rápido, indolor e realizado, sempre que possível, ainda na maternidade.

A identificação precoce permite que o diagnóstico e os cuidados necessários sejam iniciados no período adequado, reduzindo os efeitos que uma perda auditiva pode causar no desenvolvimento da audição, da fala, da linguagem e da comunicação.

No Brasil, o exame é obrigatório para todos os recém-nascidos desde 2010, pela Lei Federal nº 12.303. A triagem deve ser universal, inclusive para bebês saudáveis e sem fatores de risco conhecidos, porque parte importante das perdas auditivas congênitas ocorre em crianças sem indicadores de risco.

Todo bebê deve realizar a triagem auditiva no primeiro mês de vida, preferencialmente entre 24 e 48 horas após o nascimento e antes da alta hospitalar.

  • Teste: preferencialmente nas primeiras 24 a 48 horas de vida.
  • Reteste, quando necessário: até o 15º dia de vida.
  • Diagnóstico audiológico: idealmente concluído até o 3º mês.
  • Intervenção, quando indicada: iniciada até o 6º mês.

Caso o exame não tenha sido realizado na maternidade, ele deve ser agendado o quanto antes, ainda dentro do primeiro mês de vida. Para bebês internados em UTI Neonatal, a triagem deve ocorrer assim que houver condições clínicas, preferencialmente antes da alta.

Como o Teste da Orelhinha é realizado?

Emissões Otoacústicas Evocadas Transientes — EOAT

No Exame de Emissões Otoacústicas, uma pequena sonda é colocada na orelha do bebê e apresenta sons suaves. O equipamento verifica a resposta das células ciliadas externas da cóclea. O bebê precisa estar dormindo ou tranquilo para reduzir ruídos durante o registro.

O que significam os resultados “passa” e “falha”?

Resultado satisfatório — passa

“Passa” significa que o bebê apresentou resposta satisfatória na triagem realizada. Para esse resultado, é necessário passar nas duas orelhas.

Esse resultado indica que a audição está dentro do esperado naquele momento, mas não garante que permanecerá normal durante toda a infância. Algumas perdas auditivas podem surgir posteriormente ou ser progressivas. Por isso, os pais devem continuar observando as respostas aos sons, a comunicação e o desenvolvimento da fala e da linguagem.

Resultado não satisfatório — falha

“Falha” significa que não foi possível obter uma resposta satisfatória em uma ou nas duas orelhas. Não é diagnóstico de perda auditiva. Líquido na orelha, ruído ambiental ou agitação do bebê também podem interferir no resultado.

Sempre que houver falha, mesmo em apenas uma orelha, o reteste deve ser realizado nas duas orelhas e com o mesmo protocolo utilizado na primeira etapa.

O reteste deve ocorrer até o 15º dia de vida, preferencialmente no mesmo serviço que realizou o primeiro exame. O bebê deve sair da maternidade ou do atendimento com o reteste já agendado.

Após uma falha no reteste, não se recomenda repetir sucessivamente o Teste da Orelhinha. Triagem e avaliação diagnóstica não são a mesma coisa. O diagnóstico deve ser realizado por profissional com experiência em avaliação audiológica infantil.

Mesmo quem passa pode precisar de acompanhamento

A presença de determinados indicadores de risco pode exigir avaliações periódicas, mesmo quando o bebê passa na triagem. Os pais devem informar ao profissional todos os dados relevantes da gestação, do nascimento e da internação, incluindo medicamentos utilizados, permanência em UTI e histórico familiar de perda auditiva.

Também é importante procurar avaliação sempre que houver dúvida sobre a audição ou atraso no desenvolvimento, independentemente do resultado obtido ao nascer.

Procure ajuda profissional se o filho:

  • não reage a sons ou não se assusta com sons intensos;
  • não procura ou não localiza a origem dos sons na idade esperada;
  • não responde quando é chamado pelo nome;
  • apresenta atraso de fala, linguagem ou comunicação;
  • parece ouvir em alguns momentos e em outros não;
  • apresenta qualquer mudança de comportamento auditivo.

A preocupação da família deve sempre ser considerada. Ter passado no Teste da Orelhinha não exclui a possibilidade de uma perda auditiva adquirida, progressiva ou de início tardio.

Orientação final aos pais

O Teste da Orelhinha é essencial, mas representa apenas o início do cuidado auditivo. O benefício da triagem depende da continuidade: realizar o reteste no prazo, concluir a avaliação diagnóstica quando indicada e acompanhar o desenvolvimento da criança.

Marcos do desenvolvimento auditivo e da linguagem

Referência visual incluída no documento original.

Fonte

Brasil. Ministério da Saúde. Guia para realização da Triagem Auditiva Neonatal (TAN) e seguimento assistencial. Brasília: Ministério da Saúde; 2025.

Se você tem dúvidas sobre a audição do seu filho ou recebeu indicação para realizar exames complementares, entre em contato conosco. Nossa equipe pode esclarecer todas as suas questões e agendar a avaliação com o protocolo completo, incluindo o exame por frequência específica.

Fale conosco: (11) 99109-6767

Criança fazendo o exame BERA / PEATE na Clínica Andreia Lot

O que é o BERA/PEATE?

O BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry) ou PEATE (Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico) é um exame que avalia a integridade das vias auditivas e possibilita estimar os limiares auditivos, ou seja, o quanto o bebê ou a criança escuta, sem a necessidade de uma resposta comportamental.

É um exame objetivo, não invasivo, que pode ser realizado desde o período neonatal até a fase adulta.

O BERA/PEATE avalia a audição desde o nervo coclear até o tronco encefálico, verificando se o caminho percorrido pelo som está funcionando adequadamente. Quando o objetivo é estimar o quanto a criança escuta, ou seja, determinar os limiares auditivos, o exame deve ser realizado em diferentes frequências — graves, médias e agudas — e em cada ouvido separadamente.

Você sabia que o BERA/PEATE pode ser realizado com diferentes tipos de estímulo? Um deles é o estímulo clique; o outro utiliza estímulos por frequência específica.

O que é importante saber

O BERA/PEATE realizado somente com o estímulo clique avalia a integridade das vias auditivas, mas não permite estimar os limiares auditivos de forma específica nas diferentes frequências e, não fornece um mapa completo do quanto a criança escuta.

Nosso protocolo inclui a realização do PEATE por frequência específica em todos os pacientes pediátricos, além do PEATE por clique.

Por que realizar o PEATE por frequência específica?

Com estímulos específicos por frequência, como o tone burst, por exemplo, avaliamos 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000 Hz, abrangendo frequências graves, médias e agudas. Isso permite estimar os limiares auditivos e a configuração audiométrica, formando um verdadeiro “mapa da audição da criança”. Essa abordagem possibilita uma avaliação auditiva objetiva e é recomendada para estimar o grau, a configuração e o tipo de perda auditiva, quando presente, na população pediátrica (American Academy of Audiology, 2020).

Embora o PEATE por frequência específica seja reconhecido como uma prática recomendada na avaliação audiológica infantil, os protocolos utilizados podem variar entre os serviços, e alguns incluem apenas o estímulo clique.

A literatura recomenda que, para favorecer a identificação precoce de possíveis alterações auditivas em crianças pequenas, o protocolo de avaliação inclua estímulos por frequência específica no BERA/PEATE.

Quando seu filho pode precisar deste exame?

Existem situações que podem indicar a necessidade de uma avaliação auditiva objetiva. Quando limitações relacionadas à idade, ao neurodesenvolvimento ou a outros fatores dificultam a obtenção de respostas comportamentais confiáveis, a avaliação pode ser inconclusiva, tornando necessário o uso de medidas eletrofisiológicas (Hall, 2016; JCIH, 2019).

O exame pode ser indicado, por exemplo, nas seguintes situações:

  • Resultado não satisfatório na Triagem Auditiva Neonatal — quando o bebê não passa no Teste da Orelhinha e precisa prosseguir com a investigação para confirmar se há perda auditiva e estimar o quanto escuta.
  • Indicadores de risco para perda auditiva — recém-nascidos e crianças com condições clínicas que exigem avaliação e acompanhamento auditivo específicos.
  • Idade ou desenvolvimento que dificultam a avaliação comportamental — bebês e crianças pequenas que ainda não conseguem responder de maneira confiável à audiometria.
  • Atraso na fala, na linguagem ou na comunicação — quando a criança não fala ou fala menos do que o esperado para a idade.
  • Dificuldade para responder ao nome ou compreender comandos — quando a criança não responde ao ser chamada ou não compreende orientações simples.
  • Respostas auditivas inconsistentes — quando, em alguns momentos, a criança parece ouvir bem e, em outros, parece não ouvir.
  • Suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA) — é fundamental investigar e descartar a presença de perda auditiva antes ou durante o processo diagnóstico do TEA.
  • Dúvidas sobre a audição da criança — sempre que os pais ou profissionais observarem comportamentos auditivos diferentes do esperado.

Se você tem dúvidas sobre a audição do seu filho ou recebeu indicação para realizar o BERA/PEATE, entre em contato conosco. Nossa equipe pode esclarecer todas as suas questões e agendar a avaliação com o protocolo completo, incluindo o exame por frequência específica.

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Menina realizando o exame de avaliação do processamento auditivo central

O que é o processamento auditivo central?

O processamento auditivo central nada mais é do que a série de processos que se sucedem no tempo e que permitem que um indivíduo realize uma análise metacognitiva (“processamento”) dos eventos sonoros (“auditivo”) e que envolvem, predominantemente as estruturas do sistema nervoso (“central” = vias auditivas e córtex).

O que é transtorno do processamento auditivo central (TPAC)?

É a alteração em uma ou mais habilidades auditivas. O TPAC pode acontecer isoladamente ou estar associado a outras alterações tais como: dificuldade de aprendizagem, transtornos de fala e/ou linguagem, transtornos de leitura e/ou escrita, déficit de atenção e/ou hiperatividade, dislexia, entre outras.

Como ocorre o TPAC?

O TPAC pode ter origem no desenvolvimento (atraso maturacional, alterações estruturais, disfunções e/ou atipias no sistema nervoso central) ou ser adquirido (alterações neurológicas e/ou neurovegetativas, envelhecimento e perdas auditivas periféricas).

Quais são os sinais e sintomas do TPAC?

  • Alterações na comunicação oral (trocar letras para falar, dificuldade para contar histórias ou dar recados, dificuldade em seguir ordens, não entender piadas e palavras de duplo sentido);
  • Alterações na comunicação gráfica (troca de letras na escrita, caligrafia ininteligível, dificuldade em compreender o que lê);
  • Problemas comportamentais (desorganização, desatenção, agitação ou apatia, ansiedade);
  • Baixo desempenho acadêmico e/ou em atividades do trabalho (reuniões, palestras, conferências);
  • Dificuldade para aprender uma língua estrangeira;
  • Dificuldade para manter a atenção aos sons (“só ouve quando quer”), precisa ser chamado várias vezes (“vive no mundo da lua”) e pede para repetir o que foi dito (usa com frequência as expressões “hã”, “o que?”, “não entendi”).

Teste e tabelas com o resumo dos padrões de normalidade para o teste DSI

Análise de erros nas frases do teste DSI
Elaboração da versão em Português Brasileiro do teste de identificação de sentenças dicóticas (DSI)
DSI e escolaridade português
Treinamento Auditivo
Escuta Direcionada Esquerda
Integração Binaural
Escuta Direcionada Direita
Treino
Calibração
Benchmarks for the DSI test

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Perda Auditiva em Bêbes/Crianças – A Importância do Diagnóstico Precoce

De acordo com American Speech-Language-Hearing Association (ASHA) o diagnóstico da perda auditiva, bem como seu tratamento, deve ser realizado até os primeiros 6 meses de vida, para que a criança possa ter um desenvolvimento normal de fala e linguagem, similar as crianças com audição normal.

O período crítico para o desenvolvimento normal de fala/linguagem é desde o nascimento até os 3 anos de vida. A perda auditiva, em muitos casos, não é detectada até que a criança complete 2, 3 ou 4 anos de vida, quando prejuízos irreversíveis ao desenvolvimento normal da criança já ocorreram. Uma criança com perda auditiva tem dificuldades para ouvir normalmente os sons de fala. A perda auditiva pode estar presente desde o nascimento ou, em alguns casos, pode surgir posteriormente. É importante ressaltar que a maioria dos bebês com perda auditiva tem pais com audição normal.

Os programas de Triagem Auditiva Neonatal foram desenvolvidos com a finalidade de prevenir os efeitos negativos da perda auditiva no desenvolvimento cognitivo, linguístico, auditivo, socioemocional e acadêmico de bebês e crianças. A perda auditiva, portanto, deve ser identificada o mais rápido possível, logo após o nascimento, bem como a intervenção deve ser imediata.

Para confirmar a perda auditiva de recém-nascidos e crianças pequenas que falharam na triagem auditiva na maternidade, deve-se utilizar testes/exames específicos para avaliar a integridade do sistema auditivo, em ambas as orelhas, estimar a sensibilidade auditiva por frequências, determinar o tipo de perda auditiva, monitorar e fornecer informações necessárias para iniciar os ajustes dos dispositivos de amplificação (próteses auditivas). Nossos equipamentos de última geração permitem a execução de diagnósticos da audição de maneira efetiva. É possível qualificar o déficit da audição desde o recém-nascido até o paciente idoso, incluindo pacientes não colaborativos. Nossa equipe, composta por fonoaudiólogos especializados, realiza o acompanhamento dos pacientes através de exames de rotina específicos para cada necessidade.

Se você tem dúvidas sobre a audição do seu filho ou recebeu indicação para realizar o BERA/PEATE, entre em contato conosco. Nossa equipe pode esclarecer todas as suas questões e agendar a avaliação com o protocolo completo, incluindo o exame por frequência específica.

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